10 de setembro de 2009

Afeição pouca é bobagem...

.
Exercito, com você, meu afeto...
O melhor de mim será seu, por esse tempo.
Serão suas as canções, todas elas...
Também suas, com certeza,
todas as poesias, prosas,
receitas de bem-viver e de bem-amar

Serão seus, por direito,
todos os esboços,
Todos os esforços que eu fizer
na tentativa de me melhorar.

Por esse tempo em que me exercito,
o que de bom vier de mim
passará antes por você;
Só depois ganhará o mundo...

Meu melhor sorriso, o mais doce deles
Meu melhor olhar, o mais profundo
Meu abraço, meu mais longo abraço...
De meus toques, o mais intenso
De meus afagos, o mais macio
De meus quereres, o maior deles: tê-la...
.

2 de setembro de 2009

Confidência

.
"Elejo-te, pois, não mais apenas musa;
Agora também confidente...
Saberás de mim o que a poucos permito...
E assim me sabendo, será mais fácil prá mim
o lidar contigo, e comigo mesmo...
Não mais precisarei de palavras...
Se estiver triste, saberás por quê, ou por quem...;
Se alegre demais, também...
Se preocupado, se tenso, se inseguro, não importa...
Tudo estará dito, e entendido, e saberei,
dentro da minha tristeza, ou alegria, ou o que lá me tome e domine,
que alguém sabe e entende o que se passa, e porque...
E, sabendo-me assim sabido, com certeza me será mais leve o peso
do que quer que seja...
Pois bastará um olhar... um simples olhar,
e me saberei suprido do que mais me falta: ser entendido..."
.

Sobre ontens e hojes...

.
Ontem à noite quis morrer...
Hoje já não quero...
Ontem à noite revisitei, por instantes,
Um inferno em que já vivi... não o quero...
Hoje habitei, novamente, por mais do que instantes,
Não um céu, ou mesmo paraíso...
Apenas um lugar tranquilo,
Em que, juntos, apesar de não mais juntos,
Fizemos, falamos e acontecemos,
Sem dor, sem véus, sem fel...
Hoje não quero mais morrer;
Quero viver, ainda que não pleno,
Pelo menos mais do que antes, mais do que sempre,
E, se possível,
Com você por perto...
.

18 de agosto de 2009

Que coisa... (para Bruna)

.

Que coisa é essa que você tem, menina?
Que encanto é esse?
Que magia é essa que você carrega,
que brota dos seus olhos, do seu sorriso,
ou de qualquer coisa que você faça, ou não faça?
Que graça é essa que te acompanha,
em cada gesto, em cada simples estar?
Que poder é esse que, longe de assustar,
pelo contrário, atiça?...
Que mel é esse? De que florada você o compôs?
Combinação do que com o quê?
Que luz é essa que te envolve, me responde...
De onde vem? Do que e pra que vem?
Pra onde vai?
Vai?...
É sua, de repente, exclusiva pro seu próprio brilhar,
ou aguarda, brilhante e paciente,
quem apenas e tão somente a aceite, entenda,
e, com a maior naturalidade do mundo,
simplesmente se deixe iluminar?
.

Ah, vá...

.
Mas é claro que continuaremos a nos ver...
A relação acabou, mas não acabou todo o afeto,
Toda a consideração, respeito e admiração
Que sempre tive e continuarei a ter por você.
Sinto, sim, sua falta, e sempre penso em você com carinho.
Você é a pessoa mais especial que já conheci;
Jamais me afastaria assim de você;
Disse ela, minutos antes de desaparecer para sempre...
.

De clara ação

.
Declaro, para os devidos fins
que esse é o fim da devida declaração
ponto
.

Acalanto (para Kerencia)

.

Dorme, sem mais urgência...
Dorme, com o peito em paz
Dorme, que o tempo espera...
Dorme... amanhã tem mais...

Dorme, com a alma leve,
Dorme, o quanto for capaz;
Dorme, que a vida espera...
Dorme, amanhã tem mais...

Dorme, que o corpo pede,
Dorme... nunca é demais
Dorme, que o mundo espera
Dorme, amanhã tem mais...

Dorme, sem mais querência,
Dorme, que a noite é fugaz
Dorme, que eu cá te espero
Dorme... amanhã tem mais...
.

8 de agosto de 2009

Precisâncias...

.
Preciso, com uma certa urgência,
de uma régua, de uma trena, de um compasso;
preciso de medidas, preciso de limites.

Preciso, com uma certa urgência,
de lápis, borracha, e papel, muito papel,
para poder escrever, apagar e reescrever,
à medida que descubro, redescubro,
aprendo e desaprendo as lições e deslições
que a vida, essa mestra volúvel e imprevisível,
me passa como deveres de casa.

Preciso, com uma certa urgência,
de alguns pincéis, e muita tinta,
pra poder colorir um pouco o cinza de que às vezes me visto.

Preciso de um tubo de cola, daqueles bem grandes,
pra poder remontar os pedaços em que às vezes me quebro,
e, meu Deus, como ando me quebrando...
Pensando bem, DOIS tubos de cola...
.

Barcos

.
Ah, ser leve.. como custa às vezes, consegui-lo...
A gente carrega tantas coisas, tantas delas desnecessárias;
Armas, escudos, fotografias esmaecidas de passados não felizes,
Projeções mal pensadas de futuros improváveis,
Desejos, anseios, medos, esperas...

Para voar fomos feitos e nascidos,
Mas optamos, no mais das vezes, por sermos barcos,
Sujeitos a marés, recifes, tempestades,
E sempre, sempre cheios de âncoras...
.

A mulher do poeta

.
Feliz aquela que por um poeta
É amada e cortejada
Pois que de poemas vive,
E de poemas é alimentada.

De versos se veste,
E com versos é despida.
E ainda mesmo quando findo o encanto,
Quando premente se faz a partida,
Mais que nunca o poeta se aplica,
E canta em versos a sua despedida.
.